O 50º aniversário da Maratona de Nova York como corrida pelos cinco distritos ofereceu um lembrete vívido de que o evento é definido tanto pelas histórias pessoais quanto pelos tempos dos vencedores. Mais de 61.000 corredores concluíram a prova deste ano, incluindo quase 29.000 mulheres, em comparação com cerca de 2.000 participantes na primeira edição realizada por toda a cidade, em 1976. Apenas 88 dessas participantes originais eram mulheres.

A corrida começou na Ponte Verrazzano-Narrows, atravessou Staten Island, Brooklyn, Queens e o Bronx, e terminou no Central Park. Para muitos corredores, o ponto mais difícil do percurso foi a Ponte Queensboro, um trecho silencioso e sem espectadores que frequentemente expõe o cansaço antes dos quilômetros finais.

Andreas Almgren, da Suécia, venceu a prova masculina em 2:06:01, completando uma maratona pela primeira vez. A queniana Sheila Chepkirui venceu a prova feminina pela segunda vez em três anos. A americana Jess McClain terminou em segundo lugar depois de ultrapassar a bicampeã Hellen Obiri perto da linha de chegada, tornando-se a primeira americana no pódio de Nova York desde 2018. Marcel Hug conquistou seu oitavo título na categoria de cadeira de rodas, enquanto Catherine Debrunner venceu sua prova por mais de oito minutos.

O evento também destacou conquistas distantes da competição de elite. Rich Roll, 60 anos, alcançou a linha de chegada depois de treinar apenas com duas sessões semanais de corrida e caminhada de cinco milhas, após uma cirurgia de fusão da coluna. Ele correu em apoio ao ex-sargento-mor do Exército Cedric King, um condecorado com a Purple Heart que perdeu as duas pernas acima dos joelhos por causa de um dispositivo explosivo improvisado.

O ultramaratonista britânico William Goodge completou sua 50ª maratona em 23 dias, correndo uma em cada estado. Seu desafio começou em Honolulu, em 9 de outubro, rendeu-lhe um recorde mundial do Guinness e arrecadou dinheiro para a Stand Up To Cancer em memória de sua mãe.

Dave Obelkevich, 83 anos, alinhou-se para sua 49ª Maratona de Nova York. Ele concluiu todas as edições pelos cinco distritos desde a corrida inaugural de 1976, desta vez correndo ao lado da filha. James Thomas, 78 anos, foi o último a concluir a prova, cruzando a linha por volta das 23h20 para disputar sua 43ª Maratona de Nova York. Ele correu no evento pela primeira vez em 1980.

A atmosfera da corrida se estendeu por toda a cidade, das bandas em Bay Ridge e das multidões em Williamsburg à música gospel no Harlem e aos espectadores chamando os corredores pelo nome. O apoio tornou-se especialmente importante para os participantes cujas provas ficaram aquém de seus objetivos.

Um corredor descreveu ter perdido, na Ponte Queensboro, o ritmo necessário para alcançar um recorde pessoal. Em vez de abandonar o esforço, a estratégia mudou para terminar com o máximo de prazer possível: caminhar quando as cãibras exigiam, correr para cumprimentar as mãos estendidas das crianças e extrair energia dos gritos dos espectadores. Alguns Sour Patch Kids oferecidos por uma criança no Harlem proporcionaram outro pequeno impulso durante os quilômetros finais.

As conversas entre os concluintes no metrô depois da prova refletiram a variedade de emoções associadas à maratona. Alguns estavam simplesmente felizes por tê-la concluído, enquanto outros se sentiam decepcionados com tempos que teriam representado grandes conquistas para outra pessoa. A experiência compartilhada ressaltou como o sucesso pode ser medido de maneiras muito diferentes entre os participantes.

Apesar de um resultado insatisfatório, o corredor terminou praticamente sem lesões e começou a pensar em como se preparar para a próxima prova. Uma conversa em casa sobre a melhora do tempo da filha mais nova em uma corrida de cross-country levou a uma reflexão mais ampla sobre a perseverança e o desafio de continuar quando correr se torna difícil. Para o próximo ciclo de treinamento, a lição era clara: preparar-se melhor para a Ponte Queensboro.

Fontes: Outside.