Sob a lua cheia, na Floresta Nacional Gifford Pinchot, em Washington, Tanner Hoskins examina as árvores com uma mira térmica. O líder da Pacific Northwest Bigfoot Search acredita ver algo se movendo perto de um lago escuro, mas o grupo não tem uma maneira imediata de confirmar o que é.
Hoskins e três amigos passaram os últimos seis anos procurando evidências de uma grande criatura bípede desconhecida no Noroeste do Pacífico. O interesse deles começou depois que Kelly Stolp contou ter ouvido passos pesados e um uivo gutural perto de sua barraca durante uma viagem de acampamento em 2020. Mike Palagi, que estava no mesmo acampamento, também ouviu os sons mais tarde. Os dois ex-atiradores de elite do Exército procuraram na área enquanto estavam armados, mas não encontraram nada.
Stolp inicialmente hesitou em compartilhar a história porque temia que ela parecesse absurda. Por fim, contou o caso a Hoskins, um segurança do Shriners Children’s Hospital, em Portland. Hoskins, que havia crescido ouvindo as histórias de sua bisavó sobre “hidebehinds”, criou um site para a Pacific Northwest Bigfoot Search e convidou as pessoas a enviarem seus próprios relatos.
Desde 2021, o grupo afirma ter recebido 287 relatos por meio de seu site e de suas contas nas redes sociais. Os envios incluem supostas pegadas, vocalizações e avistamentos. Hoskins reconhece que muitos relatos devem ser tratados com cautela, mas diz que os depoimentos de pessoas que querem permanecer anônimas — incluindo madeireiros, agentes de segurança pública e funcionários do governo — podem parecer particularmente convincentes para ele.
A equipe de busca agora entra na natureza selvagem a cada um ou dois meses. Seus integrantes principais são Hoskins, Stolp, Palagi e Alberto Quinones, que é casado com a prima de Hoskins. Eles usam miras térmicas, drones, câmeras de trilha, materiais para moldagem e gravadores de áudio enquanto procuram em áreas remotas de todo o Noroeste do Pacífico.
O grupo não está unido na crença de que o Pé Grande existe. Palagi se descreve como o maior cético da equipe, enquanto Stolp diz que não acredita na criatura. Palagi sugeriu que um cervo poderia ter causado as batidas ouvidas no acampamento em 2020, enquanto o uivo incomum poderia ter vindo de uma rã-touro. Hoskins diz que continua apenas 80% convencido até ver o Pé Grande pessoalmente.
A busca levou-os à Floresta Nacional Gifford Pinchot, com 1,3 milhão de acres, uma área associada a numerosos relatos sobre o Pé Grande. A floresta inclui Ape Canyon, onde garimpeiros supostamente encontraram animais semelhantes a macacos em 1924, e Skookum Meadows, onde uma marca com formato de corpo encontrada na lama em 2000 foi atribuída a um primata desconhecido. O condado de Skamania também possui uma norma destinada a proteger o Pé Grande de danos, refletindo preocupações com caçadores armados na região.
Hoskins diz que a primeira descoberta potencialmente significativa da equipe ocorreu quatro anos depois do encontro de Stolp: uma pegada medindo 16 polegadas de comprimento e sete polegadas de largura. O grupo, no entanto, não encontrou prova científica definitiva, e o Pé Grande continua sem confirmação.
Para Hoskins, as expedições tratam de mais do que provar que uma criatura existe. Ele antes gostava de passar tempo na floresta, mas deixou de fazê-lo quando os amigos preferiram videogames e bares. Depois que Stolp compartilhou sua experiência — e depois que Hoskins perdeu sua bisavó em 2021 —, ele se sentiu cada vez mais atraído de volta para a natureza.
A Pacific Northwest Bigfoot Search também se expandiu para o Pacific Northwest Missing Persons Project. O trabalho conecta a experiência do grupo na natureza selvagem e seu conhecimento de terrenos remotos com famílias que procuram respostas sobre casos não solucionados. As buscas oferecem um propósito prático, ao mesmo tempo que dão aos participantes uma maneira de processar o luto e buscar encerramento.
Não se sabe se o grupo algum dia documentará o Pé Grande. Por enquanto, as expedições continuam combinando acampamento, investigação, ceticismo e uma disposição compartilhada para examinar relatos que ainda não encontraram uma explicação fácil.
Fontes: Outside.